quinta-feira, 28 de junho de 2007

Crítica de Livro - Iracema, José de Alencar

Apesar de toda a sua beleza por ser um livro nacional e de nossa primeira geração do romantismo, ele não é um livro tão belo assim. Canta as maravilhas do Brasil, transforma o índio, o verdadeiro brasileiro, em herói e mostra-nos implicitamente o que realmente o europeu fez com o Brasil.
O que atrapalha é sua difícil leitura que utiliza de uma linguagem rebuscada e usa em seu texto muitas palavras do tupi. Cheio de comparações entre os índios e seres da natureza ["cabelos mais negros que as penas de tal ave"] e cheio de pedaços confusos, Iracema é sim um livro difícil.
É claro que nem por isso devemos deixá-lo de lê-lo, tanto porque sua história é fascinante narrando o nascimento do primeiro brasileiro [mistura das raças] que surge da dor. E o que torna a história mais fascinante são elementos da mitologia e da religião, como por exemplo o fato de Iracema ter conhecido Martim dando uma flechada nele, onde compara Iracema com o Cúpido e a diviniza. Já um outro exemplo ligado a religião é o número de capítulos, XXXIII [33], que é a idade de Jesus Cristo, ou seja, Iracema é salvadora de nossa identidade.
Além do mais, os três primeiros parágrafos do primeiro capítulo pode ser organizado em um poemacom um belo esquema rímico.
Apesar de cansativo, vale a pena ler Iracema para aqueles que gostam de Literatura ou mesmo de leitura para conhecer melhor como é a escrita da nossa primeira geração romântica, aquela que tentou salvar a nossa Pátria através do Nacionalismo e do Ufanismo.

9 comentários:

Izabella disse...

Olá Sophie!

Gostaria de adicionar mais em relação ao que disse a respeito da linguagem usada por José de Alencar. não gostei do livro por tê-lo achado um tanto confuso em relação às falas dos personagens e o desenrolar da história. De tanto usar palavras indígenas e do português que nem se encontra no dicionário achei que a obra recebeu um certo tom arrogante, como vejo em algumas outras obras brasileiras de autores consagrados.
Acredito que um escritor deve-se fazer como tal escrevendo para que o povo possa compreendê-lo e não para que, para ser compreendido, tenha que se ter um dicionário de 10000 paginas ao lado.
O enredo poderia ter ganhado maior destaque se fosse possível ao leitor imaginar melhor o decorrer deste, sem confusões de "quem está falando" em um diálogo X ou, ao invés de escrever: "Abre-se a imensidade dos mares, e a borrasca enverga" escrever "Abre-se a imensidade dos mares, e um vento forte e súbito com chuva enverga".
A claridade foi algo raro nesse livro, por isso dou nota 3 para ele.

I.

Juciele Fonseca disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Juciele Fonseca disse...

Izabela
Vale lembrar que Iracema foi publicado em 1865, portanto a linguagem da época é considerada arcaica para nós.
Então, não concordo com a sua crítica de que a obra tem um "tom arrogante" por ter sido escrita em uma linguagem metafórica e mais rebuscada, já que para a época o livro tinha uma liguagem super simples para os leitores alvo do José de Alencar.

Eduardo disse...

Concordo com sua analise, não é um livro fácil para ler, mas identifica a cultura indianista e elementos de mitologia nacional, como o fato de Tupã estar presente. Mas com uma outra vista, em caso pessoal, li o livro não procurando apenas o conteúdo, mas o que também me atraiu ele foi justamente a linguagem culta, de tempos onde a expressão de sentimentos ainda era em palavras cultas e formosas. Apesar, que um argumento seu também foi percebido por min, o fato de palavras do idioma dos indios, mas que não faz falta na percepção geral do livro e seu conteúdo. Òtima analise.

Lucas disse...

eu acho esse livro muito bem escrito, mas, como disse Izabela, não é muito claro quanto a quem fala num diálogo. Não ajuda o fato de que eles falam sobre si mesmos na terceira pessoa.outra crítica que quero deixar é a grande frequência da palavra "seio". numa página só, podem ser encontradas umas cinco delas. Será que o autor estava carente?...

geanny disse...

iracema e um livro muito bom mais ela morri e não fica com seu amado e nem com seu filho, mostra a cara do brasil, mas não da o a de feliz para cempre.

Lora Dora disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lora Dora disse...

Sophie, obrigado por ter feito essa critica, por que eu tenho um blog e precisei fazer pesquisar sobre os piores livros segundo os jovens, sua resenha me ajudou, valeu, se quiser visite meu blog www.bookators.bloggeiro.com tchausinho

nana alves disse...

O cuidado do autor era tão grande em transmitir ao leitor, uma leitura bem nacional, com características próprias do índio brasileiro, que declarou, em diversos textos, a preocupação em garantir verossimilhança linguística aos seus indígenas.
[...] é preciso que a língua civilizada se molde quanto possa à singeleza primitiva da língua Barbara, e não represente as imagens e pensamentos indígenas senão por termos e frases que ao leitor pareçam naturais na boca do selvagem. O conhecimento da língua indígena é o melhor critério para a nacionalidade da literatura [...]
ALENCAR, José de. Iracema. Porto Alegre:L&PM,2002.p.140. (fragmento). Carta ao Dr. Jaguaribe
Na carta ao amigo Dr. Jaguaribe, ele explica como procurou, em seus textos, ´´moldar a língua´ às personagens que a utilizavam. É por esse motivo que encontramos, nos textos indianistas, muitas palavras de origem indígena, cujo significado era sempre explicado pelo autor em inúmeras notas.